Sou teu pai, não teu escravo

24-11-2018

Geralmente, todas as crianças fazem birras. Pirraças, gritos, choros e queixas são algo muito comum durante a infância. Para tentar conter esse comportamento, muitos pais acabam por ceder aos filhos tudo o que desejam. 

Os pais que cedem frequentemente aos filhos acreditam que assim conseguirão acalmá-los. Infelizmente, acontece o contrário: essa atitude faz com que pensem que um pai é um escravo que podem controlar à vontade.

A sociedade exige cada vez mais dos pais e dos filhos. Vende uma falsa ideia de perfeição trabalhista, económica e, claro, familiar.

É comum que as crianças, desde pequenas, façam parte de milhares de atividades extracurriculares. Dessa forma, nem sequer possuem tempo para se aborrecer ou se encontrarem com elas mesmas.

Isso deve-se a essa competitividade que obriga os adultos a serem melhores que os demais. Tal pensamento tem sido, consequentemente, transmitido às crianças.

Os pais estão mais focados no sucesso dos filhos do que em proporcionar-lhes uma boa educação baseada na harmonia, no respeito e no tempo para brincar.

Sou teu pai, não teu escravo

Deve ficar claro que uma criança precisa de tempo para não fazer nada. Ela precisa de se entediar, pensar e brincar. Ela deve aprender a cair e a levantar-se sem que os seus pais estejam a prestar atenção a todo momento.

Esta é a única forma para que o seu desenvolvimento emocional e cognitivo seja correto e para que aprenda a enfrentar diferentes circunstâncias na vida.

Nesta era de tecnologia e competitividade, a maioria dos pais quer apenas facilidades para seus filhos.

O medo de os traumatizar por os obrigar a fazer qualquer coisa que não queiram, fazer os TPC's por eles, agradá-los com qualquer tipo de desejo que tenham ou, simplesmente, não lhes dar nenhum tipo de responsabilidade são fatores a serem considerados.

Se as crianças forem tratadas assim, acabarão por pensar que o mundo real é como em casa. Isto é, que diante de qualquer birra, pessoas desconhecidas darão ou farão o que querem.

Elas irão tornar-se pessoas tóxicas. Pessoas que irão afastar os outros. Em suma, não estabelecerão relações saudáveis, porque não saberão reconhecê-las.

O que posso fazer para evitar que isso aconteça?

Para evitar que seu filho te trate como um escravo, você deve seguir uma série de etapas. A princípio, pode ser um pouco difícil. É normal que alguns pais se sintam desamparados com o pensamento de que seus filhos estão crescendo.

Perceber como eles se distanciam e começam a fazer coisas sozinhos gera nostalgia e um pouco de tristeza. Apesar disso, você tem que pensar sobre o que é melhor para eles.

Converse com seu filho

Mas não faça isso durante uma birra. A criança não compreenderá os motivos enquanto estiver a gritar e a chorar. Assim espere que ela se tranquilize e só então converse com ela.

Comente de forma assertiva que ela teve um comportamento incorreto e que você não irá permitir. Se continuar a agir assim, ninguém ao seu redor irá querer brincar com ela.

Troque o verbo "ser" por "ter"

Diante de uma birra, muitos pais geralmente acusam os seus filhos de serem "maus". Isso é algo injusto e negativo. Além disso, caso seja frequentemente repetido para a criança, acabará por criar problemas.

Em vez de dizer "és mau", você deve dizer "tiveste um mau comportamento". É o comportamento da criança que foi incorreto, não a criança em si.

Dê responsabilidades para cumprir

Ensine o seu filho a fazer diferentes tarefas em casa. Dependendo da idade, a criança já pode aprender a fazer certas coisas.

Dessa forma, ela vai tornar-se uma pessoa autossuficiente, além de se sentir útil. Quanto mais cedo ela aprender a desenvolver-se pelo mundo, melhor se vai sair. Ajudar em casa é sempre positivo.

Não exija tanto

Lembre-se de que é uma criança. Este não é o momento de enfrentar os problemas dos adultos.

O seu filho deve ter o seu próprio tempo para brincar e relaxar. Caso contrário, podem aparecer transtornos relacionados ao stress e à ansiedade.

Permita que expresse as suas emoções

O sentimento não é uma coisa má. Aprender a gerir as emoções é algo primordial na educação, desde que seja de forma correta. Ensine o seu filho a expressar a sua tristeza, a sua alegria e o seu descontentamento.

Além disso, não esqueça de deixar claro que deve fazer isso de forma respeitosa, nunca insultando ou gritando.

Fonte: soumamae.com.br