Será a maternidade cor de rosa?

02-08-2018

A maternidade é socialmente concebida como um momento mágico e cheio de pózinhos cor de rosa, e muitas das vezes, não é bem assim que acontece. Quando a mãe tenta dizer que não foi assim tão cor de rosa como pinta a sociedade, surge uma espécie de solidão na mãe ou no pai, por não se sentirem integrados neste pano de fundo.

Assim, mesmo quando os filhos foram muito desejados, há sempre contrariedades e muitas mães - os pais também sentem contrariedades, por vezes, mas é acima de tudo sobre as mães que cai esta culpa inicial - começam a sentir culpa ainda antes do bebé nascer.

Para onde atiram as mães a sua culpa? Sentem culpa porque estão grávidas e continuam a alimentar-se como se não estivessem, porque estão grávidas e continuam com um desejo doido daquela comida que não podem comer, ou, simplesmente, porque não abrandam o seu ritmo de trabalho. Afinal, não devia a mãe assim que engravida, perder todos esses desejos que fazem mal ao bebé? Não. Quando uma mulher engravida, não passa a ser Mãe, continua a ser mulher, com desejos e objetivos para si própria e acumula a maternidade.

Depois se, por azar, a criança nasce antes do tempo, mais uma vez a mãe se sente culpada porque não foi capaz de proteger e cuidar do bebé dentro de si. Se, quando chega a hora de dar de mamar a criança não consegue ter o reflexo de sucção, de novo, lá vai a culpa para a mãe, afinal a amamentação é tão importante e a mãe nem isso está conseguir fazer.

Vão para casa com o bebé e não o conseguem fazer dormir, mais uma vez a culpa é da mãe. A mãe está exausta e não faltam um sem fim de pessoas a tentar ajudar, que, apesar de terem em si as melhor das intenções, muitas vezes, mais do que ajudar colocam uma pressão inigualável nas mães. Assim, de culpa em culpa, de pedaço de medo em pedaço de medo, que as mães vão guardando apenas para si, as mães vão ficando aos bocadinhos, mais ansiosas, mais tristes e menos relaxadas, assim, vão tentando controlar tudo aquilo que a criança faz e consegue ou não fazer. Tentando dar-lhe tudo, para compensar todas as culpas que acham que têm, afinal, é como se a sociedade lhes dissesse "depois de seres mãe, o teu filho deve estar à frente de tudo na tua vida". Ora isto, mais uma vez, coloca uma pressão inigualável nas mães.

Temos de desmistificar essa imagem idealizada da maternidade, pois, precisamos que as mães possam assumir as suas dificuldades sem medos, sem pressões familiares e sociais, precisamos de ser tolerantes com as mães, e aceitar que uma boa mãe é na essência imperfeita, as culpas devem transformar-se apenas em questões que originam um espaço de encontro com o crescimento de mães e filhos enquanto família.
Assim, o essencial na viagem da maternidade é que uma mãe nunca se distancie de si própria e dos seus sonhos apenas porque se tornou mãe, que uma mãe nunca deixe de investir em si, apenas porque se tornou mãe. Uma mãe será tão melhor mãe quanto mais realizada consigo própria estiver, pois, assim, será capaz de amar e proteger, ao mesmo tempo que promove a individualidade e crescimento autónomo dos seus filhos. 

Autoria: Escola do Sentir