Que leite dar às crianças após os 12 meses?


Muitas mães têm dúvidas quanto ao tipo de leite que devem oferecer ao bebé após os 12 meses. Cátia Godinho, do projeto A nossa mãe é enfermeira esclarece tudo neste artigo!

Quando o bebé é amamentado as recomendações são claras: prosseguir com a amamentação pelo menos até aos dois anos e idealmente até ao desmame natural.

No entanto, quando é um bebé que é alimentado com fórmula infantil as mães sentem-se, por vezes, um pouco perdidas face a toda a oferta que há no mercado.

Leite de fórmula 3, leite de crescimento ou leite de vaca? E o leite de vaca, gordo ou meio gordo?

Importa referir que há dois tipos de leite de crescimento: em pó (fórmula 3 ou + crescidos) e o leite de crescimento em apresentação líquida que é vendido exclusivamente no supermercado.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) tem uma ata pediátrica que data de 2013 sobre este assunto, na qual eu me apoiei para escrever este artigo.

Este documento não esclarece claramente se a recomendação é para oferecer leite de vaca após os 12 meses ou leite de crescimento. No entanto diz, claramente, quando fala sobre os leites de crescimento, que há «uma grande disparidade de informação quando se recorre à rotulagem, à informação fornecida nas brochuras à classe médica e ainda a que se encontra disponível no site/casa comercial do produto. Esta disparidade, por vezes chegando à incongruência de informações (...)»

A grande desvantagem do leite de vaca relativamente aos leites de crescimento é a carga proteica. Para dar uma ideia, o leite materno tem uma carga proteica de 2.1 para 100kcal , o leite de vaca gordo 4.8 e o meio gordo 7. As fórmulas de crescimento (leite em pó) variam entre 2.1 e 3.7 e os leites de crescimento de apresentação líquida entre 2.2 e 4 por 100kcal. No entanto, a partir dos 12 meses, o organismo do bebé está apto a processar a carga proteica do leite de vaca.

No referido documento da SPP, em relação aos leites de crescimento, os autores dizem ainda que «os seus benefícios não estão claramente demonstrados, particularmente no que respeita às suas vantagens após o primeiro ano de vida (...).»

Relativamente aos açúcares, é importante referir que todos os leites de crescimento têm uma associação de maltodextrina e lactose, sendo que a maioria das apresentações líquidas têm ainda adição de sacarose e vanilina/baunilha, contrariamente ao leite de vaca que apenas contém lactose.

Outro aspeto importante é o aspecto financeiro, onde os leites de crescimento apresentam um valor efetivamente mais elevado que o leite de vaca.

Quanto ao facto de serem enriquecidos com complexo vitamínicos e minerais, como em toda a alimentação enriquecida, estas vitaminas e minerais apresentam uma biodisponibilidade (capacidade de serem absorvidos) inferior à biodisponibilidade desses mesmos minerais e vitaminas naturalmente presentes nos alimentos, exatamente pelo facto de serem complexos, ou seja, temos muitas vezes o ferro adicionado sob a forma de fosfato de ferro, que é de facto um complexo com uma baixa biodisponibilidade.

Como é a partir dos 12 meses?

Por outro lado, a partir dos 12 meses, a oferta diária em leite deve passar a representar cerca de 1/3 da alimentação da criança, ou seja, 300 a 500 ml, repartidos por todos os produtos lácteos, sendo que uma alimentação diversificada e saudável deve fornecer então à criança todo o aporte em vitaminas e minerais de que ela necessita. A exceção a estes 'limites' de ingestão de leite vai para os bebés amamentados, onde a amamentação deve prosseguir em livre demanda, não retirando no entanto a importância a uma alimentação diversificada e saudável nesta fase.

Posto isto, podemos concluir que o leite de crescimento não traz vantagens claras ou que justifiquem o investimento financeiro na sua inclusão na alimentação da criança.

Relativamente ao leite de vaca, o ideal - ao contrário daquilo que muitas vezes se pensa - será o leite gordo até aos três anos, pois por um lado a sua carga proteica é menor e por outro as gorduras boas nesta fase são essenciais para o bom desenvolvimento cerebral da criança.

Há cada vez mais famílias que optam por leites vegetais nesta fase, tal como há famílias que optam por uma alimentação vegetariana, integrando assim a criança nos hábitos alimentares da família após os 12 meses, como é preconizado.

Como já foi dito em cima, desde que a alimentação seja diversificada, que o bom crescimento e desenvolvimento sejam monitorizados, e os nutrientes suprimidos sejam compensados com outros alimentos, a criança terá todos os aportes que necessita para crescer saudável!

Autoria: Cátia Godinho do projeto A Nossa Mãe é Enfermeira