Prevenir a cárie dentária desde pequenino!

04-05-2018

A cárie dentária pode desenvolver-se assim que o primeiro dente nasce daí que é muito importante começar desde cedo com corretos hábitos de higiene oral e consultar o dentista com alguma regularidade. Conheça quais são os principais cuidados a ter para manter a higiene dentária dos mais novos.

O sorriso perfeito, os dentes «branquinhos» e o bem-estar emocional, provêm em grande parte de uma saúde oral cuidada.

A preocupação com a saúde física e emocional, levam à melhoria da autoestima. No entanto, para que se atinja este bem-estar, há que prestar atenção a bons hábitos e boas regras de saúde, nomeadamente as que concernem à nossa boca.
A conservação e manutenção de um bom sorriso, carece de algumas preocupações, hábitos e rotinas. Estes devem ser introduzidos desde cedo, de forma a serem obrigatórios no dia a dia da criança ou do adulto. Seguramente os bons ensinamentos culminam em bons resultados.

Para que se compreenda melhor a importância da prevenção, é importante relembrar o conceito de cárie. Na nossa boca existem numerosas bactérias que se «alimentam» de restos alimentares, provenientes da decomposição do bolo alimentar. As bactérias usam esse alimento e os produtos da sua degradação culminam na destruição do dente. Se não houver bons hábitos de higiene oral, a cárie aparece...

Sendo assim, e porque existem diferentes fases na evolução do crescimento dentário, é importante transmitir algumas regras de ouro na prevenção da cárie dentária.

Estas são, sem dúvida, regras de ouro para que tenhamos saúde oral. A importância da prevenção, e tudo o que dela ganhamos, é de extrema importância para a nossa auto estima e para o dito «sorriso perfeito». Os gastos avultados, associados aos tratamentos, não só a nível dentário, mas também no que concerne à saúde em geral, serão efetivamente menores. A probabilidade de lesão diminui e a existir, é detetada e tratada precocemente.

Desde 1 ano em diante

Hábitos de higiene a seguir
É talvez a mais importante arma na prevenção de saúde oral: criar e manter bons hábitos de higiene. É primordial incutir, desde cedo, e quase como se fosse uma regra, a escovagem dentária bem feita. Para tal, deve ser feita preferencialmente sempre após a ingestão de alimentos, e em igual número às refeições que fazemos diariamente. No entanto, e dado à rotina diária (escola, colégios, ATL, etc.), sugere-se que, pelo menos após o pequeno almoço e antes de deitar, a escovagem seja obrigatória. Esta deve ser feita num período mínimo de dois minutos, e deve procurar escovar todas as superfícies de todos os dentes. A escovagem bem efetuada irá remover uma grande percentagem de alimentos retidos na cavidade oral e com isso prevenir o aparecimento de cáries. O dentífrico ajuda a eliminar esses alimentos, assim como a baixar o pH da cavidade oral, culminando assim com uma menor a ação das bactérias. A escovagem pode ser efetuada com escova manual ou com escova elétrica, tendo esta última um aumento no nível de limpeza que efetua, em detrimento da manual. Também é aconselhado, pelo menos uma vez diária e antes da escovagem, o uso de fio dentário, escovilhão ou fita dentária (importante que a criança ganhe este hábito a partir do momento que tem dentes definitivos e destreza suficiente). O seu uso ajuda a eliminar restos alimentares que ficam entre os dentes e que são, muitas vezes, de difícil remoção pela escova. O uso de colutórios ajuda a manter por mais tempo a ação dos dentífricos, que por sua vez torna a ação das bactérias mais demorada.

Dos 0 meses em diante

Implementar bons hábitos alimentares
Bons hábitos alimentares culminaram num baixo índice de cárie. É nesta ideia que devem assentar os princípios alimentares, desde idades muito precoces. É fundamental que sejam introduzidas cedo e convictamente as frutas e os vegetais em detrimento dos doces. Estes não devem servir como «moeda de troca» para que a criança pare de chorar ou para atenuar um comportamento menos correto. Ao fazê-lo estamos a criar um hábito que depressa terá consequências negativas, não só, mas também na saúde oral das nossas crianças.

Esta responsabilidade cai, claro, nos pais e educadores, que são os grandes responsáveis pela correta introdução dos alimentos na vida dos mais pequeninos. Rapidamente os nossos filhos vão perceber o quanto gostam destes alimentos e dificilmente os pais conseguirão retirá-los da rotina diária alimentar.

Se é certo que a introdução de doces na rotina alimentar deve ser feita o mais tardiamente possível, é também uma realidade que as crianças que frequentam escolas ou colégios têm um contacto mais precoce e menos controlado com este tipo de alimentos. Cabe assim aos pais, travar o conhecimento do seu sabor, criando desde cedo, na criança, o conceito de bons hábitos alimentares.

É aconselhável que, pelo menos até aos dois anos, as crianças «desconheçam» por completo os doces. Só após este período, e porque já têm a dentição praticamente toda presente e desenvolvida, podemos dar a conhecê-los, com regra e medida, alertando sempre para a importância da lavagem de dentes de seguida. A partir daqui, deve ser imposta a regra, de que doces, (rebuçados, gomas, chocolates...) são consumidos pontualmente e numa quantidade moderada, nunca como apaziguador de possíveis birras. Alimentos como bolachas, cereais ou achocolatados, devem ser muito controlados na quantidade. Ao invés, a ingestão de fruta com casca, legumes crus ou cozidos, águas, chás e tisanas em detrimento de sumos ou refrigerantes, e refeições equilibradas naturais, devem ser a regra, ganhando naturalmente o lugar de destaque no nosso dia a dia. A comida dita processada ou fastfood, deve ser igualmente consumida excecionalmente.

Crianças com bons hábitos serão, certamente, adolescentes e adultos saudáveis, conscientes do impacto que a sua alimentação e as suas rotinas podem ter nas suas vidas.

A partir dos 4 anos

Consulta de rotina semestral
A consulta de rotina permite ao médico dentista ensinar/relembrar bons hábitos de higiene oral e avaliar precocemente a existência de cáries ou outra patologia. São nela contemplados vários tratamentos como a destartarização, aplicação tópica de flúor, observação clínica, exames radiológicos, entre outros, que no seu conjunto impedem a evolução de um diagnóstico menos favorável.

Em média temos 28 dentes presentes em boca, (excluindo sisos), que devem ser analisados regularmente. Este ato permite-nos detetar facilmente uma cárie em fase inicial, tratá-la e, na maioria dos casos, conservar, praticamente intacta, a estrutura dentária.

A eliminação de tártaro através da destartarização (remanescentes de alimentos que calcificam junto aos dentes pela presença de saliva) é também fundamental. Uma boa saúde gengival é sinónimo de menos inflamações e, por conseguinte, menor risco de infeções orais. As patologias associadas às gengivas, como as gengivites e periodontites, são muitas vezes eliminadas ou atenuadas, quer pela destartarização quer pelos restantes tratamentos, inerentes a estas consultas.

Dos 6 aos 14 anos e no jovem adulto

Selantes de fissuras
O selante não é mais do que um «verniz», que é aplicado sobre os dentes permanentes. Sendo a anatomia dentária constituída por sulcos e fossas, onde normalmente se retêm alimentos, o selante atua na superfície dos dentes, criando uma capa protetora impermeável, que impede a retenção de restos alimentares.
Ao libertar flúor, de uma forma contínua, permite uma permanente mineralização do esmalte dentário, diminuindo assim o risco de aparecimento de cáries.

Deve ser efetuado na dentição definitiva, durante o período de crescimento de dentes definitivos (6-14 anos). Após essa idade, é facultativo a sua execução, por haver menor porosidade dentária e, por isso, menor risco de cárie nestes sulcos.
Este tratamento de prevenção é efetuado em todas as crianças em Portugal, com idades compreendidas entre os 7-15 anos, através do Programa Nacional de Prevenção em Saúde Oral (Cheques Dentista). Tem nos últimos anos contribuído para uma diminuição acentuada da taxa de prevalência de cárie.

A partir dos 4 anos em diante

Aplicações tópicas de flúor
O flúor, que está presente na nossa água e em muitos produtos alimentares, como o arroz, feijão, cebola, peixes etc., tem uma função importante na remineralização dentária. O órgão dente, é muitas vezes agredido pelo que ingerimos (alimentos ácidos, ou picantes, dentífricos mais agressivos, medicamentos (antibióticos), e outros); ou por fatores genéticos (doenças genéticas, doenças respiratórias, malformações, outros). Torna-se assim mais sensível e mais permeável, quer aos alimentos frios e quentes quer à degradação efetuada pelas bactérias. O flúor tem a importante ação de tornar o esmalte do dente mais «forte», ou seja, menos poroso, menos permeável e com isso mais resistente à ação das bactérias e à sensibilidade provocada por alimentos frios ou quentes. Existe comummente nos dentífricos (com maior ou menor quantidade), nos colutórios, (alguns mesmo específicos com maior quantidade de flúor), em pastilhas elásticas, gel aplicado no consultório, em verniz de flúor aplicado diretamente na superfície dentária (com uma alta durabilidade) e até mesmo em comprimidos orais para chupar (flúor sistémico). O tipo de flúor pode ser escolhido consoante o grau de incidência de cárie presente: quanto maior for a tendência para cárie maior o número de vezes que é feita a aplicação e maior é a sua concentração.

Dos 6 anos até ao jovem adulto

Tratamentos ortodônticos
O alinhamento dentário na prevenção da doença oral é de extrema importância. Uma boca que tenha dentes desalinhados ou fora da posição, ou mordidas diferentes do habitual (quer por uso de chucha ou dedo, ou até por razoes genéticas), levam a uma maior prevalência de doença. Um dente fora da posição «normal», vai dificultar a higiene oral, fazendo com que haja uma maior propensão para cáries nessas zonas. Outra característica comum, em criança ou adulto com uma mordida fora do habitual, é a respiração, que, nestes casos, é predominantemente oral. Esta ação resulta numa maior incidência de bactérias e consequentemente numa maior probabilidade de se desenvolverem cáries. É de grande importância que os pais reconheçam precocemente a necessidade de uma avaliação da posição dentária nas suas crianças. Assim, cedo se intervém, no criar uma boca saudável, alinhada e sem problemas de mastigação ou mordida, ou dificuldades de higiene.

Dicas para um sorriso perfeito e saudável

- Escove os dentes do seu filho a partir da erupção do primeiro dente.
- A higiene oral deve ser a última coisa a fazer antes de dormir... Evite dar-lhe leite ou outro alimento após a lavagem de dentes.
- Ofereça cenouras e outros legumes crus ou fruta com casca em detrimento de gomas e chocolates.
- O biberão deve ser retirado até um ano de idade; e a chucha/dedo devem ser eliminados ao três anos, pois são inimigos do sorriso perfeito.
- Os pais são o maior exemplo dos filhos. Faça o seu check up semestral e leve-os, desde cedo, a acompanhá-lo.

Fonte: crescercontigo.pt