Óculos de sol para crianças: Sim ou não?

As crianças devem, em paralelo com outras formas de proteção, usar óculos de sol. A recomendação é da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Segundo a SPP, a melhor proteção é evitar completamente a exposição solar das crianças com menos de seis meses. A partir dessa idade deve evitar-se a exposição nas horas de maior intensidade de radiação (entre as 10:00 e as 16:00), usar chapéu com abas ou boné (capazes de reduzir a exposição das estruturas oculares para cerca de metade) e adicionalmente óculos de sol.

A sua utilização é mais importante nos dias de maior intensidade de radiação, durante atividades em grandes superfícies refletoras (água e neve), em dias sem nuvens (embora a sua presença não diminua o risco de lesão), no verão e em grande altitude.

No seu site oficial, a SPP explica que as crianças que estão em maior risco de exposição são aquelas que foram operadas a catarata (nas quais a proteção conferida pelo cristalino não existe), as submetidas a certos tratamentos que aumentam a fotossensibilidade (como as tetraciclinas) e as que têm patologia retiniana de base. Contudo, todas as crianças devem proteger os olhos dos efeitos nocivos da radiação UV.

Como escolher os óculos

Existem vários aspetos a ter em conta quando se compram óculos de sol para os mais pequenos:

- As lentes devem bloquear 99-100 por cento da radiação UV-A e UV-B ou bloquear a radiação UV até aos 400 nm;

- As lentes devem ser de boa qualidade ótica, de modo a evitar a distorção das imagens. Pode testar-se a qualidade segurando os óculos a uma distância confortável em frente a um objeto que tenha um padrão retangular, como por exemplo o pavimento, tapar um olho e depois mover lentamente as lentes para cima e para baixo e para um lado e para o outro. Se as linhas permanecerem retilíneas, a qualidade está assegurada, se ficarem curvas, são de má qualidade ótica;

- Deve também ter-se em conta a resistência das lentes, evitando acidentes por quebra. As de policarbonato são as mais resistentes e, por isso, mais adequadas à idade pediátrica, embora mais sujeitas a riscos. Os pais podem optar por comprar lentes anti riscos, embora o custo seja mais elevado.

As armações também devem ser resistentes e livres partes proeminentes que possam causar lesão em caso de traumatismo. Já a cor das lentes não está relacionada com o grau de proteção UV.

A proteção para a radiação infravermelha que alguns fabricantes oferecem, não parece trazer benefício, já que este tipo de radiação é bem tolerado pelas estruturas oculares.

Para a SPP não restam dúvidas. Tão importante quanto proteger a pele da radiação, é proteger os olhos.