O que fazer em caso de eletrocussão


Em média, são 150 as ocorrências anuais registadas em Portugal. A maior parte acontece em crianças e adolescentes com menos de 14 anos.

Quantas vezes são os adultos a dar o (mau) exemplo, trocando lâmpadas sem desligar o quadro ou, pelo menos, o interruptor? Muitos arranjam mesmo, em casa, eletrodomésticos à frente dos filhos pequenos. São frequentes os casos de crianças que se eletrocutaram porque estavam a imitar os pais a arranjar fios, cortando-os com tesouras ou desaparafusando interruptores ou casquilhos com os candeeiros ligados.

Em caso de acidente, estes são os procedimentos a adotar de imediato, por forma a proteger a saúde do eletrocutado:

- Não toque logo na criança. É fundamental que ninguém se precipite para cima do acidentado, pois se a eletricidade ainda está a passar, o adulto pode ficar também eletrocutado.

- Corte a corrente. Desligue o disjuntor e afaste a criança da tomada ou do fio, tocando-lhe apenas com um objeto não condutor de eletricidade (madeira, plástico), para não ser eletrocutado também.

- Tente reanimar a criança. Através da respiração boca a boca e massagem cardíaca (para cada cinco massagens cardíacas no tórax dever-se-á fazer uma respiração boca-nariz nas crianças pequenas até aos 12 meses ou boca a boca nas maiores.

- Chame o 112. É aconselhável que o faça o mais rapidamente possível sem esquecer os passos referidos.

Ensine o seu filho

Ao aprender a conviver com a eletricidade, é conveniente que o consciencialize de que «com a eletricidade não se brinca», refere Mário Cordeiro, médico pediatra, autor do livro «Crescer Seguro», publicado pela editora Glaciar. Estes são alguns dos ensinamentos que lhe deve transmitir:

- Não deixe a criança servir-se de eletrodomésticos antes de ter maturidade e idade para tal, o que depende muito de criança para criança.

- Os primeiros contactos devem ser supervisionados pelos adultos, até que a criança aprenda a utilizar os eletrodomésticos com todas as precauções e dando todos os passos com segurança.

- Mexer em aparelhos elétricos com as mãos húmidas (mesmo em situações tão simples como acender uma luz num interruptor) pode causar a morte. E as crianças, muitas vezes, lavam as mãos e enxugam-nas a correr, ficando com elas molhadas... apagando de seguida a luz da casa de banho.

Factos e números:

  • 6 a 9 meses

A partir desta idade, as crianças começam, naturalmente, a querer explorar o mundo que as rodeia, e as tomadas são sempre objeto de enorme curiosidade e acessibilidade.

  • 1,50 metros

Distância mínima de altura e afastamento a que as tomadas devem estar das camas de crianças. Quando isso não acontece, certifique-se de que estão protegidas por dispositivos de segurança e que não estão visíveis ou pendurados fios, o que também pode ser fator de acidente.

  • 220 volts

Esta é a voltagem das correntes elétricas que existem nas nossas casas e representa um potencial perigo.

  • 150 casos de eletrocussão

Número médio de ocorrências anuais registadas em Portugal. Os casos verificam-se, geralmente, em crianças até aos 14 anos, mas são suficientemente graves para justificar a ida a um serviço de urgência hospitalar.

Texto: Carlos Eugénio Augusto com revisão científica de Mário Cordeiro (médico pediatra)