Enurese: o seu filho ainda faz xixi na cama? Saiba como lidar com isso.

Há quem desvalorize e quem faça disso um bicho-de-sete-cabeças. Quem diga aos filhos que não tem mal e quem lhes ralhe por terem molhado a cama mais uma vez. A partir dos 5 anos, a enurese é um problema que deve ser resolvido para não deixar sequelas na criança. E sim, tem solução.

Causas: Espera-se que as crianças não façam xixi na cama a partir dos 5 anos e, regra geral, apenas se considera o tratamento médico quando já têm mais de 7. Para o diagnóstico, há que ter em conta fatores hereditários fisiológicos (como o facto de haver outros casos de enurese na família - acontece em 70 por cento dos casos) e descartar fatores fisiológicos como infeções urinárias ou malformações diversas. Também os rapazes tendem a demorar mais a controlar os esfíncteres.

Aos 6 anos, acabado de entrar no segundo ano e a sentir-se tão crescido em tantos aspetos, Gabriel não percebe porque é que aquilo lhe acontece todas as noites. Claro que bebe muita água: jogar à bola faz sede. E sempre um ou dois sumos de laranja ao jantar: a mãe faz os melhores do universo. Os pais falam em enurese e ele sabe que tem a ver com o xixi na cama, que muito o envergonha. Se ao menos conseguisse ficar acordado para não o deixar sair...

A enurese é a incapacidade de controlar voluntariamente o esfíncter urinário, levando a perdas de urina em contextos que podem ser constrangedores.

«A enurese é a incapacidade de controlar voluntariamente o esfíncter urinário, levando a criança a sofrer perdas de urina em contextos que podem ser constrangedores», explica Teresa Andrade, psicóloga clínica e investigadora em pedagogia. As causas mais comuns? Reduzida capacidade funcional da bexiga durante a noite e aumento da produção de urina (poliúria noturna). Tudo palavrões que podem ocorrer em simultâneo para entornar ainda mais o caldo.

«Este é um problema que não pode ser desvalorizado porque as crianças sentem vergonha e baixa autoestima. Têm muito medo de ser gozadas ou excluídas de atividades sociais», alerta Teresa Andrade, sublinhando aquilo que os pais nunca devem fazer: «Não podem ridicularizar os filhos, chamar-lhes "bebés" ou "porcos", diminuí-los em frente de terceiros. Também não podem falar constantemente no assunto ou compará-los negativamente com outros miúdos que não sofram do mesmo problema.»

Se a criança nunca chegou a ter controlo esfincteriano autónomo, a enurese é chamada de primária. Enurese secundária é quando já o teve e voltou a perdê-lo, nomeadamente por razões emocionais.

Estima-se que em Portugal existam cerca de 80 mil crianças com enurese, sendo a primária a disfunção física com maior incidência na infância a seguir às manifestações alérgicas.

A enurese noturna afeta a qualidade de vida e a autoestima, pelo que valorizar cada noite seca é fundamental.

«Essencialmente, a criança sente estar a fazer algo de errado que não consegue controlar, o que aumenta ainda mais a sua ansiedade e a possibilidade de continuar a sofrer dos mesmos problemas», diz a psicóloga clínica. A enurese noturna afeta-lhe a qualidade de vida e a autoestima, pelo que valorizá-la por cada noite seca é fundamental.