De que tamanho se sentem as crianças?


Numa das nossas aulas, decidimos explorar as coisas que tornam cada uma das nossas crianças especiais, sim, porque todos nós temos alguma coisa verdadeiramente especial cá dentro, todos nós somos singulares e temos um diamante dentro de nós.

Já estávamos a contar que seria uma aula difícil, pois, quase todos nós somos capazes de reagir no imediato a uma afronta ou uma agressão verbal, mas temos alguma dificuldade em reagir a um elogio, como se um elogio nos atira-se para um lugar fora de nós, nos deixasse sem jeito e sem chão... observamos este fenómeno sempre que perguntamos a uma criança, ou até a um adulto, as suas coisas boas e as suas coisas más, rapidamente temos um rol de coisas más e uma dificuldade em identificar coisas boas.

Voltando à nossa aula, assim que lhes dissemos que tinham de identificar as coisas em que são especiais, foi assim como colocarmos no meio da sala uma formiga cor-de-rosa! Ora, formiga cor-de-rosa, porquê? Porque ao mesmo tempo que acharam bonito, termos a certeza que todos eles teriam alguma coisa que os tornava especiais, olharam para nós como se de uma formiga se tratasse, incapazes de a ver, incapazes de encontrar essa coisa que os torna especiais!

Alguns mais soltos, mais leves, mais seguros de si, conseguiram identificaram que eram especiais ou porque tinham amor, ou porque sabiam jogar futebol, ou até porque o pai gostava deles... mas, esses são aqueles que nos sossegam o coração e nos aquecem a alma e, por estranho que possa parecer, foram poucos! Muitos deles, com um olhar assustado, com o corpo encolhido diziam "mas, Professora, eu não sou especial em nada...", "mas, eu não faço nada bem feito", ou "Professora, este é o exercício mais difícil de todos!".

Preocupa-nos que crianças no alto dos seus nove anos, se sintam verdadeiras formiguinhas, que - ainda que por vezes, possam brilhar, ou até ser cor-de-rosa - na grande maioria dos dias, se sentem apenas invisíveis, insignificantes e iguais a todas as outras. Se queremos crianças felizes, temos de alimentar a sua auto-estima e auto-confiança, temos de, com o nosso coração lado a lado com o da criança, olhar para dentro dela e faze-la ver o diamante que tem dentro de si, faze-la redescobrir-se e, acima de tudo, amar-se e acreditar em si. Se queremos um mundo melhor, temos de ensinar as crianças que serão capazes de o transformar, de o fazer evoluir e de lhe dar os seus pózinhos de perlimpimpim.

No fundo, sonhamos um dia chegar a uma sala de aula e ao invés de ter formiguinhas cor-de-rosa, todas elas serem verdadeiros leões cor-de-rosa, seguras de si e daquilo que pode brilhar em si, e, indo um bocadinho mais à frente, capazes de usar esse brilho, que as torna especiais, a seu favor e a favor de um mundo cada vez mais bonito.