Como o álcool pode destruir o cérebro de um adolescente


Estima-se que os jovens começam a beber álcool aos 13,8 anos de idade e que esta é a primeira droga a surgir na vida destes adolescentes. Saiba que efeitos pode ter.

Ingerir bebidas alcoólicas pode ser prejudicial na vida dos adolescentes, com vários danos consideráveis no cérebro, que se encontra em pleno desenvolvimento.

Segundo vários estudos, a idade média com que os jovens começam a consumir este tipo de bebidas situa-se entre os 12 e os 13 anos - apesar de a idade legal em Portugal para comprar e consumir álcool seja os 18.

«A adolescência é um período de profunda maturação cerebral com grande suscetibilidade ao efeito de tóxicos que afetam o funcionamento dos neurónios e das sinapses, como o álcool e as drogas.»

De acordo com o La Vanguardia, é na adolescência (até aos 20 anos) que «os neurónios que não se consolidam acabam por ser eliminados». Isto é, «o cérebro 'elege' os que são mais eficazes para transmitir informação».

O pediatra Hugo Tavares, do Hospital dos Lusíadas no Porto, reforça esta teoria no site da instituição: «a adolescência é um período de profunda maturação cerebral com grande suscetibilidade ao efeito de tóxicos que reconhecidamente afetam o funcionamento dos neurónios e das sinapses, como é o caso do álcool e das drogas de abuso».

Mas que verdadeiros efeitos pode ter o consumo de bebidas alcoólicas nestas idades?

  • Impacto no comportamento e memória: De acordo com Fernando Cadaveira Mahiá, psicólogo, o álcool pode ter «importantes repercussões em funções cognitivas», como a planificação ou a tomada de decisões. O especialista diz ainda que pode afetar a memória e causar dificuldade de concentração.
  • A alegria provocada pelo álcool tem consequências: O álcool pode provocar alguma desinibição e dar aos jovens a sensação de melhor integração. No entanto, outra das consequências está relacionada com a hiperatividade do cérebro, «havendo muito gasto de energia e pouco rendimento», como explica o especialista.
  • Abre a porta a outros vícios: O álcool pode atrair outros vícios, tendo em conta que o cérebro vai necessitar de mais estímulos, podendo abrir a porta «a outras drogas, como o canábis ou outras mais pesadas», que acabam por «multiplicar os efeitos negativos do álcool». Segundo Cadaveira, há estudos que revelam que as pessoas que tiveram uma adolescência marcada por excessos acabaram por ter um fraco desempenho ao nível académico.
  • Consequências sociais: Além das consequências ao nível da aprendizagem, da memória e cognitivo, o álcool pode também ser prejudicial para a vida social, principalmente porque os jovens acabam por perder algumas oportunidades profissionais, sociais e até afetivas. «A recomendação é clara, os jovens não deveriam consumir até atingir a maioridade», conclui o psicólogo.