Como lidar com a pressão dos amigos

A adolescência é um tempo de mudanças físicas e psicológicas e de consequentes adaptações. É também tempo de pertencer a um grupo. Um grupo de convívio, com quem se sai, se vai ao cinema, à discoteca ou com quem simplesmente se conversa no recreio da escola, se partilham dúvidas, confidências...

Ana Rodrigues da Costa

O grupo exerce influência sobre os seus membros, quer positiva quer negativamente.

Esta influência pode fazer-se segundo dois processos, a comparação social e o conformismo.

Quanto ao primeiro processo, este consiste na comparação do seu próprio comportamento e das suas competências com as de outros adolescentes para efetuar a sua autoavaliação.

Quanto ao conformismo, o adolescente adota atitudes ou comportamentos de outras pessoas devido à pressão real ou imaginária que estas exercem sobre ele e que podem passar pela forma de vestir (a maioria dos jovens veste um "uniforme"), a música que ouve, a linguagem que utiliza, os valores que interioriza, as atividades extracurriculares e os passatempos.

Assim, o grupo de pares (de iguais) constitui um importante apoio emocional e, simultaneamente, uma fonte de pressão para o comportamento do adolescente num período complexo e de transição como é a adolescência.

É uma fonte de afeto, de simpatia, compreensão e orientação moral, de segurança emocional, um lugar para a experimentação, um contexto que permite ao adolescente tornar-se mais autónomo e independente dos pais, formar relações íntimas como ensaio para a intimidade adulta nas relações românticas, conforme se vão formando grupos mistos, e de desenvolver um sentimento de pertença que faz com que os valores e normas de comportamento do grupo sejam aceites pelos seus membros.

Esta influência também poderá ser menos positiva. Faltar à escola, consumir drogas, roubar são comportamentos tidos, geralmente, em grupo, mas não é o grupo, por si só, que leva os jovens a tomar estas atitudes. Temos que ter em consideração que os adolescentes procuram outros iguais a eles.

É saudável um certo grau de conformismo às normas do grupo, mas não quando isso se torna destrutivo e coloca em causa os valores do adolescente.

Nos casos limite parece ser verdade o papel fulcral desta influência do grupo mas, na maioria das vezes, as práticas parentais podem ter uma maior influência nos comportamentos pró ou antissociais dos jovens.

As práticas educativas com autoridade democrática, em que os pais supervisionam os comportamentos através do controlo e da fixação de limites, e o trabalho escolar encorajam a realização, permitem a tomada conjunta de decisões, parecem ser mais eficazes a ajudar os jovens a internalizar padrões que os protegem das influências negativas dos pares e a estarem mais disponíveis às influências positivas.

Estas práticas parentais parecem reduzir os comportamentos problemáticos e melhorar o rendimento académico.

Estes pais tendem a educar jovens bem ajustados e estes procuram para amigos adolescentes também eles bem adaptados. Nesta situação, o grupo reforça e promove os efeitos benéficos de práticas educativas consideradas eficazes.

Para resistir à pressão do grupo não existem receitas milagrosas, mas os pais podem adotar algumas práticas educativas eficazes, tais como:

  • estabelecer limites claros para o comportamento;
  • determinar regras firmes mas não coercivas;
  • disciplinar os filhos de forma consistente;
  • explicar a tomada de decisões;
  • permitir a discussão das questões mais controversas;
  • controlar o paradeiro dos filhos mas sem serem superprotetores;
  • proporcionar um ambiente caloroso, afetuoso e compreensivo;
  • proporcionar informações e experiências que ajudem os adolescentes a desenvolver competências sociais;
  • reagir de forma flexível e adaptada às mudanças dos filhos;
  • abrir espaços de diálogo para que coloquem as suas dúvidas e incertezas;
  • permitir aos filhos que tomem decisões;
  • passar os valores familiares através do seu comportamento e não de discursos ou sermões.

Acima de tudo, devem ser pais e não amigos.