CCB | Belém Cinema: FANTASIA de Walt Disney

01-10-2018

[TERMINADO] CCB | Belém Cinema: FANTASIA de Walt Disney | amanhã, dia 28 às 16h00 no Grande Auditório

A coisa mais espantosa que já aconteceu nos ecrãs de cinema. Um filme que rasga as fórmulas convencionais, para corajosamente revelar todas as potencialidades criativas do cinema.

THE NEW YORK TIMES

Nesta deslumbrante experiência de imagem e som, alguns dos maiores temas da música clássica são interpretados numa coleção de mágicos segmentos de animação, ambiente e personagens que, a partir deste filme, perpetuam o inconfundível estilo e imaginário fantástico dos estúdios Disney.

A história de Fantasia remonta a 1936. Walt Disney percebeu que a estrela principal dos estúdios, a personagem do Rato Mickey, necessitava de um filme que fizesse disparar a sua popularidade e iniciou uma curta-metragem - O Aprendiz de Feiticeiro - vagamente inspirada num poema da autoria do escritor e poeta alemão Johann Wolfgang Goethe. Os custos de produção, contudo, estavam a ultrapassar largamente o orçamento previsto para uma curta-metragem e Walt Disney acabou por converter o projeto numa longa-metragem com diversos segmentos, o que seria comercialmente mais rentável. E foi assim que nasceu Fantasia, uma longa-metragem dividida em oito segmentos que animam grandes peças de música clássica, interpretados pela Orquestra Filarmónica de Filadélfia, conduzida pelo maestro Leopold Stokowski, explorando todas as possibilidades estéticas que as duas artes podem aliar. Os oito segmentos, conduzidos e ligados pelos comentários do crítico musical e compositor Deems Taylor, apresentam-se pela seguinte ordem: Tocata e Fuga em Ré menor de Johann Sebastian Bach, onde se exploram de forma livre e abstrata as várias possibilidades da animação e efeitos especiais; Suite Quebra-Nozes de Tchaikovski, onde as estações do ano são personificadas por animais e figuras fantásticas; O Aprendiz de Feiticeiro de Paul Dukas, a única composição modernista, e onde a figura do Rato Mickey aprende uma série de truques de magia; A Sagração da Primavera de Igor Stravinski, que explora o tema da evolução do planeta, desde as primeiras criaturas microscópicas à extinção dos dinossauros; a Sinfonia Pastoral de Beethoven, que retrata o universo mitológico greco-romano; A Dança das Horas de Ponchielli, um cómico segmento onde animais improváveis fazem números de ballet; Uma noite no Monte Calvo de Mussorgski, um segmento mais gótico sobre as criaturas da noite; e por fim a Ave Maria de Franz Schubert, que encerra com figuras luminosas o segmento anterior.

Walt Disney não olhou a custos e meios para criar uma experiência visual única e inesquecível. Mais de mil artistas e técnicos trabalharam para dar vida às mais de quinhentas personagens presentes ao longo do filme, que incluem para além do Rato Mickey, figuras e personagens que passaram a compor o universo e imaginário inconfundível da Disney.

Para potenciar a beleza de peças clássicas como a Ave Maria de Schubert ou A Sagração da Primavera de Stranvinski, e assegurar um maior realismo acústico, a Disney e a RCA (Radio Corporation of America) desenvolveram um sistema áudio com 90 altifalantes, o Fantasound, sistema que pode ser considerado a primeira experiência stereo e surrounddo cinema.

O filme causou alguma polémica ao mostrar centauros e cupidos nus, para além de uma centaura negra, algo que chocou alguma da audiência habituada à segregação racial que então vigorava nos EUA. Não obstante, foi amplamente reconhecido e aplaudido pela crítica, que rapidamente o considerou como algo nunca visto «no céu ou na terra». Dois anos depois, esse trabalho seria reconhecido por Hollywood, com a atribuição de dois Óscares honorários, em resultado do trabalho inovador levado a cabo pelos estúdios Disney. Contudo, Fantasia não foi capaz de dar o retorno financeiro que era esperado. Não podendo estrear na Europa, então em plena Segunda Guerra Mundial, aliado aos custos elevados de produção e à necessidade de instalar o dispendioso equipamento Fantasound para as projeções, levaram a que o filme se tornasse um fracasso de bilheteira. O retorno acabou por ir acontecendo nas diversas reedições e novas versões que foram sendo lançadas, sendo a mais importante Fantasia 2000, lançado em 1999, por um sobrinho de Walt Disney.

Hoje, Fantasia é não só considerado por muitos como a obra-prima do génio de Walt Disney, como também um marco incontornável na história do cinema e do cinema de animação, tendo elevado a figura do Rato Mickey ao símbolo máximo e inconfundível dos estúdios Disney, e a um dos ícones mais marcantes do século XX.