Antibióticos desaconselhados nas otites

05-05-2018

A classe médica britânica acaba de ser aconselhada a evitar receitar antibióticos nos casos de otites leves a moderadas. A nova regra, emitida pela instituição NICE do serviço nacional de saúde do país, destina-se a lutar contra o uso indiscriminado deste tipo de medicamentos e a crescente resistência dos microrganismos às terapias antibióticas.

De acordo com os dirigentes da NICE, "décadas de abuso de antibióticos ministrados pelos profissionais de saúde tornaram esta classe de drogas cada vez mais ineficaz, ao mesmo tempo que as bactérias evoluíram no sentido da resistência".  

Assim, nos casos em que seja avaliada uma gravidade leve a moderada das otites, os clínicos são encorajadas a basear o tratamento em medicamentos analgésicos - com paracetamol ou ibuprofeno como princípios ativos - e deixar que a situação se resolva "idealmente num prazo de um ou dois dias".

A decisão resulta de um relatório final emitido após um estudo, realizado em 2015, segundo o qual 60 por cento das crianças com otites melhoram num espaço de 24 horas, mesmo sem a utilização de antibióticos. De qualquer forma, a NICE continua a advogar o uso de antibióticos em idades pediátricas, "nos casos em que os sintomas sejam graves e sugiram a existência de uma infeção grave e/ou generalizada".

Nos próximos meses, espera-se que a instituição britânica publique recomendações para a travagem no uso de antibióticos em idades pediátricas nos casos de problemas de garganta, seios nasais, sistema urinário e sistema renal. Recorde-se que muito recentemente a Organização Mundial de Saúde emitiu um aviso sobre a resistência microbiana a antibióticos, considerando-a "uma emergência global de saúde".