Ansiedade e Depressão em crianças e adolescentes


É possível detetar a ansiedade e a depressão nas crianças?
A classificação das perturbações do humor é ainda imprecisa nas crianças do que nos adultos. Existe uma sobreposição considerável entre ansiedade, depressão e outras perturbações nas crianças. A principal característica das perturbações depressivas neste grupo etário é o desinteresse por divertimentos e brincadeiras.

As crianças normais fazem um jogo das coisas mais simples, enquanto as crianças deprimidas se isolam e não se envolvem no que está à sua volta.

Como é que a ansiedade se manifesta nas crianças?

A ansiedade manifesta-se de diversas maneiras. As crianças podem desenvolver sintomas somáticos sem causa física óbvia à parte a excitação fisiológica. Podem ter perturbações do sono com insónia e pesadelos. Podem regredir até um nível emocional anterior, adotando um comportamento mais infantil, como a enurese ou encoprese incaracterísticas, e tendo rendimento insatisfatório ou fraco desempenho escolar devido à falta de concentração. Também podem desenvolver sintomas obsessivos. Algumas ansiedades podem ser persistentes e outras aparecer apenas quando a criança é exposta a uma situação desencadeadora de medo específica como a escola, resultando na recusa em ir para a escola. Fisiologicamente, podem sofrer cefaleias, dores abdominais, taquicardia, hiperventilação, transpiração, tremor, palidez, vómitos e dores devido a tensão muscular.

Como devem ser tratadas as crianças com perturbação da ansiedade?

Se as causas de ansiedade da criança forem relativamente simples e óbvias, como ameaças de colegas da escola ou problemas em casa, os pais devem ser aconselhados sobre como lidar com a situação, por exemplo, discutindo o problema com os professores no primeiro caso ou tomando medidas para resolver os conflitos se existir um problema conjugal. Se a causa da ansiedade for menos óbvia ou mais difícil de lidar, o apropriado será encaminhar o doente para um especialista. A linha habitual de tratamento enquadra-se nas linhas psicológicas, mediante a exploração das causas dos sintomas. Isto muitas vezes requer a execução de uma entrevista familiar. A medicação ansiolítica é raramente indicada e deve pertencer ao domínio dos especialistas na área.

Quais são os fatores que podem contribuir ou causar a depressão numa criança?

Normalmente, as crianças reagem a problemas existentes no seu ambiente. Ficam deprimidas em resultado de uma perda - por exemplo, a morte de um pai ou de um avô - ou divórcio. Podem ser ameaçadas e intimidadas por colegas na escola, ou sofrer devido a um fraco desempenho escolar resultante de dislexia, surdez ou outros problemas de aprendizagem. Se um dos progenitores sofrer desta doença, frequentemente as crianças desenvolvem padrões de comportamento depressivo, quer devido a um desânimo aprendido quer possivelmente devido a alguma influência genética. As crianças podem ficar deprimidas em resultado da responsabilidade excessiva na família, ainda mais importante, devido a abuso sexual ou físico. Os problemas em casa, como discussões, dificuldades financeiras ou desemprego, contribuem para a depressão nas crianças.

Como pode ser detetada a depressão nas crianças?

Muitas crianças são demasiadas novas para se aperceberem que estão deprimidas ou para conseguirem descrever o que sentem. O que é importante é reunir informações das várias fontes, incluindo a criança, os pais e possíveis contactos na comunidade como os professores. Muitas crianças manifestam sintomas depressivos, mas os pais não têm consciência do seu significado, embora seja necessário ouvir a perspetiva dos pais. As crianças apresentam problemas de comportamento: fraco desempenho escolar, evitamento escolar, enurese e pesadelos. A criança pode exibir sentimentos de perda, deceção e tristeza, comportamento agressivo, desencanto geral e falta de atenção. As crianças deprimidas perdem o interesse por brincadeiras e não têm gosto pela vida.

Como é tratada a depressão nas crianças?

Alguma crianças têm doenças depressivas evidentes que são clinicamente idênticas às descritas nos adultos. Existe um grupo maior de crianças deprimidas cujos problemas estão relacionados com as dificuldade da vida, para quem o tratamento é lidar com as suas dificuldades, ajudando-os enfrentá-los. Essas têm origem habitualmente em problemas que muitas vezes surgem nas próprias crianças ou dentro da família. Um terceiro grupo de crianças apresenta comportamentos anti-sociais ou desordeiros, fracasso escolar e abuso de drogas. Estes são todos sintomas secundários da depressão, embora o comportamento negativo faça parte das suas manifestações. (Nem todas as crianças com comportamento desordeiro estão deprimidas).

A abordagem normal para avaliar e tratar a depressão é utilizar uma equipa multidisciplinar de pedopsiquiatras e psiquiatras de apoio à família, bem como psicólogos infantis, assistentes sociais e educadores. O tratamento enquadra-se nas linhas psicossociológicas.

Quais são os fatores que contribuem para o desenvolvimento da depressão nos adolescentes?

De muitas formas, os fatores que contribuem para a depressão nos adolescentes são os mesmos que nas crianças. No entanto, a puberdade vem aumentar o risco e a prevalência de perturbações depressivas aumenta a um nível comparável ao dos adultos. Deste, modo, as pressões dos exames escolares, escolher uma profissão e a perspectiva do desemprego são importantes, à semelhança das pressões de êxito e integração, e outras pressões dos colegas. Pode ser difícil lidar com o aparecimento de emoções mais adultas e de sensações sexuais. O abuso sexual é um elemento fortemente perturbador da valorização pessoal e é uma possibilidade relevante que deve ser considerada. No desenvolvimento dos adolescentes, surge um momento em que algumas decisões que não irão ser bem sucedidas nos cometimentos normais dos adultos e optam por adoptar a moral dos colegas, enveredando por comportamentos desviantes a nível social.
É importante realçar que a adolescência é também uma fase em que a anorexia nervosa e a esquizofrenia começam a manifestar. Devem ser observadas as alterações de apetite, de aumento ou diminuição, à semelhança da perda de interesse nas atividades que normalmente eram consideradas divertidas, como os desportos e as atividades sociais. É importante procurar por sinais de profundo desinteresse social.