A influência da família na formação da autoestima

29-04-2018

A formação da autoestima é alimentada (em parte) pela dinâmica familiar em que fomos educados. É um legado que deixa a sua marca e que às vezes é difícil de curar. Especialmente se veio de um pai ou de uma mãe que nunca se amou a si mesmo e que não era hábil quando se tratava de atender às necessidades, dar incentivo ou acolher os seus filhos com carinho.

Muitos psicólogos dizem que, para ter sucesso na vida, é preciso uma boa dose de autoestima. 

Não importa se queremos ou não, mas poucos "combustíveis" nos dão tanta determinação, autoconfiança e sensação de competência. No entanto, muitas vezes passamos pelo mundo com um nível tão baixo de autoestima que é quase impossível ativar o nosso mecanismo de superação.

"A maioria dos medos de sermos rejeitados tem a sua origem no desejo de sermos aprovados pelas outras pessoas. Não baseie a sua autoestima nas opiniões alheias". - Harvey Mackay -

Como explicou a famosa antropóloga cultural Margaret Mead, a família é o primeiro grupo social onde o conjunto de interações que ocorrem determina uma boa parte de quem somos. Os nossos pais têm o dever e a obrigação de preencher esse depósito com nutrientes adequados, ricos componentes onde não haja falta de segurança, carinho, consideração e um impulso vital capaz de nos encorajar a andar pelo mundo e de nos fazerem sentir importantes.

No entanto, neste caminho árduo na formação da nossa autoestima, nem sempre recebemos esse combustível. Isso leva-nos inevitavelmente a iniciar um caminho de busca pessoal na tentativa de consertar aquela infância em que faltaram muitas coisas...

A formação da autoestima e a harmonia com os nossos pais

A formação da nossa autoestima começa na infância. No entanto, isso significa que a autoestima está completamente determinada por todo esse conjunto de experiências anteriores vividas na nossa infância e juventude? Bem, na psicologia, como em grande parte das ciências, a palavra "determinismo" é perigosa e tem profundas nuances.

Nas questões psicológicas, tudo o que aconteceu na infância influencia-nos muito, mas não nos determina. Ou seja, o ser humano e, especialmente, o seu cérebro, têm muita plasticidade e uma grande capacidade de superação. No entanto, tudo isso nos obriga mais uma vez a olhar para a grande importância da nossa educação e a qualidade dos relacionamentos com aqueles que cuidam de nós e que nos fornecem não somente o sustento, mas também um legado emocional e educacional.

Para aprofundar esse assunto é interessante ler os livros do Dr. Ed Tronick, especialista em desenvolvimento infantil e professor de pediatria da Universidade de Harvard. Um dado interessante citado por este psicólogo é que, para favorecer o desenvolvimento da autoestima infantil, é necessário estar emocionalmente sintonizado com as crianças. No entanto, em muitos dos seus trabalhos, ele demostrou que mesmo bons pais não conseguem estar em sintonia com os seus filhos nem 40% do tempo.

É provável que esses dados nos pareçam alarmantes e até dramáticos. No entanto, o Dr. Tronick aponta algo que nos convida para uma reflexão. A razão pela qual muitos pais não se conectam 100% com as necessidades emocionais dos seus filhos é porque não agem dessa forma consigo mesmos.

Um pai stressado, cheio de resistências e problemas emocionais não resolvidos estará a enviar uma série de códigos, esquemas inconscientes e linguagens para a criança que os absorverá e fará agir da mesma forma. Neste caso, será incapaz de proporcionar aos pequenos o desenvolvimento de uma boa autoestima, uma vez que não possuem bons alicerces, raízes firmes com as quais dar exemplos, orientar com atenção e segurança.

A família influencia, mas você decide

A formação da autoestima ao longo da infância é influenciada principalmente por três fatores: aparência física, comportamento e desempenho escolar. A maneira como os nossos pais lidam com essas três dimensões pode encorajar-nos a crescer em segurança e confiança ou, ao contrário, a escondermo-nos na concha do desamparo, solidão e medo.

"A pior solidão é não estar confortável consigo mesmo". - Mark Twain -

O mais complexo de tudo isso é que, até hoje, continuamos a ver como muitos pais e mães são imaturos e inconscientes quando se trata de cuidar da sua linguagem e forma de comunicação com as crianças. Basta ouvir suas conversas na porta dos colégios para entender como, sem perceber, eles cortam uma a uma as asas da autoestima dos seus filhos.

O uso de comparações, de afirmações absolutistas (és uma negação, nunca serás aprovado ...) ou a incapacidade de perceber problemas emocionais ocultos, muitas vezes leva as novas gerações a arrastar o mesmo problema dos seus próprios pais: a falta de autoestima.

A família influencia a formação da autoestima, mas o que aconteceu no passado não deve determinar a nossa vida. Está em nossas mãos parar de se culpar por não ter o combustível necessário para suprir a autoestima. É possível reparar uma infância de carências para suprir a nossa maturidade de tudo o que os outros não puderam dar-nos.

É necessário aprender a nos abastecermos, parar de procurar fora o que podemos encontrar dentro de nós mesmos. A autoestima deve ser trabalhada todos os dias; ela requer mudanças, exige coragem e necessita, acima de tudo, de uma grande dose de amor próprio. Independentemente do nosso passado, é sempre tempo de fazer mudanças, de investir na autoestima.

Fonte: amenteemaravilhosa.com.br